segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Jôgo do contente

Ontem, domingo de muita chuva e temperaturas amenas, acho que só eu fiquei contente.
Como não estava calor pude me dedicar à tapeçaria feliz da vida pois em dias quentes não consigo bordar porque o trabalho é em pura lã e eu começo até a suar.
Assim ultrapassei  10 mil nozinhos, pois como o motivo do tapete é geométrico dá para calcular facilmente. No  olhômetro estimo que  faltam ainda uns 20 mil nós para finalizar. O que significa que quero muito tempo ruim. Que maldade!
O tapete é em ponto smirna executado com agulha-gancho e vai-se dando nozinhos na trama e o resultado é aquele tapete peludinho.
Ainda não sei qual vai ser o seu destino mas vou me divertindo...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Se a moda pega

Coitados dos alunos de hoje em dia. Não podem nem matar umas aulinhas sossegados. O mundo hightech os está perseguindo:
Em Anaheim, na California, as autoridades estão perseguindo com GPS os estudantes faltosos obrigando-os a frequentar as aulas. O Estado controla-os cinco vezes ao dia para verificar se realmente estão onde deveriam estar, ou seja nos bancos escolares.
Se os testes derem certo o programa será estendido para outras cidades e estados.
Dureza!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Escrava das horas

Estou tentando parar de fumar. Pois é, décadas de fumacê, alguns cigarros com imenso prazer, outros por puro hábito. Sem falar que atualmente está difícil fumar livremente pois em todos os lugares há restrições e não existe nada mais chato do que sair de um restaurante, por exemplo, e ir fumar na calçada.
Analisei a questão friamente e confesso que descobrí que o hábito mecânico de acender o cigarro se sobrepunha em muito ao prazer. Passei a ocupar minhas mãos com todo tipo de trabalho, caseiro, tapeçaria, leitura, etc. e tive algum resultado diminuindo os cigarros. Mas não está sendo suficiente.
Tomei uma resolução: como estava fumando mais ou menos dois maços por dia decidí diminuir paulatinamente e me obriguei a fumar apenas de hora em hora para depois ir aumentado os intervalos até acabar de vez.
E é aí que o bicho tá pegando: além de ser escrava do cigarro virei escrava do relógio pois fico marcando o tempo ansiosamente para poder acender outro.
Já me recomendaram um monte de remédios e emplastros de nicotina mas conversei com um farmacêutico que disse para tomar cuidado pois não se pode, acima dos 60 anos, sair tomando medicação a êsmo.
Ai, ai, ai. Está difícil.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Árvore

A minha mãe, já muito idosa, exímia jardineira e amante da natureza, teve de brigar durante três anos com as autoridades de Santo Amaro para cortar uma ávore na calçada de sua casa que estava corroída de cupins e ameaçando cair no muro de sua casa. Foi inúmeras vezes à sub-prefeitura, preeencheu dezenas de formulários, ouviu desculpas e má vontade, desprezo e descaso.
Um belo dia a árvore, de uma hora para outra, morreu de vez. A velhinha voltou à sub-prefeitura alarmada e o resultado foi apenas novo descaso. E a árvore mortinha ameaçando sua casa.
Eis que um dia às oito horas da manhã ouviu a campaínha e descobriu um monte gente na sua porta: engenheira agrônoma da prefeitura, trabalhadores e a Ananda Aple, da TV Globo, com câmeras. Não faltou nem o sub-prefeito engravatado.
Coitada da minha mãe: limitou-se a perguntar se iam finalmente derrubar a árvore e engenheira afirmava para as câmeras que a sibipiruna ainda estava viva. Claramente foi pega no pulo porque até criança conseguia ver que a árvore estava sem vida pelos cupins e podas mal-feitas e ela estava criando dificuldades para... D. Gerda, minha mãe, não deu a mínima bola para a gloriosa TV Globo e dizia apenas, em português macarrônico “eu quero que corta esse árvore” e ia sendo filmada.
A reportagem saiu no SPTV em 9 de agosto de 2008 numa matéria sobre podas e os riscos de queda de árvores na cidade.
A sibipiruna foi cortada uns três meses depois e deu para ver que estava totalmente ôca.






segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

The rains came

Estou na Índia, literariamente falando. Estou lendo um livro de Louis Bromfield, A grande chuva, em alemão. Está tomando todos os meus pensamentos e permeando meu cotidiano. Executo minhas tarefas corriqueiras bem rápido para poder voltar à leitura. E não é um livro de ação.
Passa na Índia por volta de 1930. O interessante não é o desenrolar dos acontecimentos e até a metade do livro não há quase acontecimento nenhum a não ser que todos esperam as grandes chuvas, as monções. O autor prende por uma infinita capacidade de descrever os diferentes tipos de pessoas e o embate das diferenças culturais dos hindus, europeus e americanos. A riqueza dos personagens vistos pela ótica de um viajante inglês, jovem nobre, culto e desinteressado, vai descrevendo os personagens com tanta profundidade que assusta: as professorinhas solteironas inglesas que vivem em Ranchipur há décadas e não conseguem sair de suas amarras britânicas, as famílias de  missionários americanos de dois diferentes caráteres, uns ambiciosos, elitistas e vazios, outros simples e trabalhadores que não se importam com diferenças sociais e que lutam para transmitir conhecimentos às crianças de baixas castas hindus, o rico lorde inglês fajuto, empresário predador e inescrupuloso casado com uma ninfomaníaca no ocaso de sua beleza fulgurante, o talentoso e belo major-médico brâmane, único capaz de compreender as almas das diversas culturas, a enfermeira escocesa chefe do hospital, o chefe de polícia hindu que tem de se mostrar progressista, mas que sempre volta à adoração dos deuses de sua cultura e ao culto das castas. Tudo isto  regido pelo marajá de Ranchipur e sua esposa, progressistas, cosmpolitas e desejosos de fazer do reinado um lugar moderno.
O ponto alto é um terremoto no início das chuvas que faz romper a barragem da região inundando toda a cidade. Instala-se grande caos, doenças, fome e todos, tão diferentes entre sí, demonstram nesses momentos de pânico suas coragens e fraquesas, abnegação e falta de caráter, oportunismo e sensibilidades às desgraças dos outros, conformismo e espírito de luta, pois de repente toda esta constelação de psiques é obrigada a conviver e iniciar a reconstrução.
Tudo isto permeado pelos mistérios da Índia, das castas e subcastas, dos diversos idiomas e dialetos, da ignorância e das religiões e crendices.

Saboroso.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Vou ficar de fora?

As novas tecnologias 3D estão chegando. Já há televisões com óculos especiais à venda por aí.
Há filmes e outras tralhas tecnológicas  por aí, tudo tridimensional.
E eu vou ficar para trás??
Por ser estrábica e não ter visão de profundidade por usar um olho só não enxergo nada em três dimensões e sou, portanto, monocular, embora eu enxergue com os dois olhos. Isto sempre me atrapalhou a vida, principalmente para dirigir ou andar de bicicleta quando a visão de profundidade é tão necessária.
É bem verdade que atrapalha também pela questão estética. Igual aos gagos, os vesgos sofrem preconceito e lhes é muitas vezes imputada a condição de retardados. Sofrí isto muitas vezes, principalmente quando criança, e não foram poucas as vezes em que tive de comprovar competência  e me impôr  “na marra”.
Muitas pessoas não compreendem a visão monocular e para isto basta experimentar tampando um olho e sair dirigindo, tentar rapidamente determinar a distância dos objetos ou mesmo pegar uma bola que alguém te joga. As minhas maiores dificuldades são descer escadas e servir café numa xícara que alguém me estende no ar pois preciso tocar a xícara antes de despejar o líquido para saber a que distância está. Além de dirigir automóveis, é claro.
Mas nada é tão grave, a experiência vai ensinando e sempre viví normalmente. Não estou me lamentando, apenas explicando.
E agora chegaram as tecnologias tridimensionais e me preocupo: será que daqui a pouco não existirão mais televisões e filmes normais?? Ai de mim...
Por isso torço e confesso sem pudor para que nada disto dê certo pois quero meu mundo normalzinho. Nada de muito filme do tipo Avatar por aí.
Devo fazer uma campanha contra? Chamarei uns egípcios da praça Tahrir.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Viajem ao Caribe - Velocidade máxima

Sandra Bullock e eu temos algo em comum: estivemos em St. Maarten na mesma época.
Eu não a ví mas minha cunhada sim e disse que é mais bonita ao natural do que nos filmes.
A surpresa na ilha naquela época era que estavam preparando a cidade cenográfica do filme Velocidade Máxima 2, aquele ruinzinho em que o navio não pode parar e entra na ilha e dalí a um tempo iam começar a rodar o avanço do navio.
O navio estava para chegar o que explica a presença dos marinheiros americanos arrogantesinhos que vimos na nossa chegada. A ilha já estava cheia de trabalhadores do filme e era o assunto do momento.
Um dia fomos de barcaça para a ilhota do Pinel, isso mesmo, Pinel com pronúncia francesa, onde há um restaurante beira-de-praia charmosíssimo com um cozinheiro francês, loiro, lindo, de olhos verdes que ia buscar num cesto no mar as lagostas pedidas pelos clientes. E cozinhava bem. Fazia muito sucesso entre a mulharada e sabia disto.
Nadamos e fizemos amizade com uns gringos americanos e demo-lhes carona de volta à Marigot. Eram funcionários do filme, um era camareiro das roupas e outro trabalhava com máquinas. Não entendí bem que máquinas. Será que foi este camareiro o responsável pelo erro grotesco do filme, quando um ator da trama cai na água com camisa branca e segundos depois emerge com camisa xadrez escura? Ha, ha, ha...
Aliás, dar e pegar carona é a coisa mais comum na ilha. Não havia quase transporte público e o que tinha era ruim. Somente as crianças tinham bom transporte escolar: são aqueles ônibus amarelos de filme americano. Todo dia às 4 da tarde o trânsito pára em todo lugar porque os estudantes embarcam e são levados para suas casas. As pessoas combinam compromissos para  antes ou depois do trânsito das crianças. Um charme.
Charme nesta ilha não falta, até as placas dos carros são simpáticas pois vem com a inscrição “The friendly island”.