quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Iupiii!!!

O meu filho foi declarado curado, iupiii!!!
Como eu já disse aqui o meu ano novo cronológico começou no dia 1 mas o ano novo feliz só começou ontem quando meu filhote fez a consulta final ao médico e foi declarado curado da terrível colite que o acometeu em agosto do ano passado. Emagreceu uns vinte kilos.
Agora até já engordou uns dois e está bem. Tomara que isto não volte nunca mais.
Não é fácil para uma mãe acompanhar filho doente e não poder fazer nada. Ainda bem que em nenhum momento perdeu seu costumeiro bom humor fazendo até os outros rirem de seus constantes pirirís.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Outro tipo inesquecível

É até falta de respeito chamá-lo de tipo pois Boris Schnaiderman é um Mestre, um Professor como poucos. Foi meu professor de russo na USP.
Pois é, em 1970 resolví estudar língua e literatura russa em plena ditadura militar! Uma maluquice, segundo os que me rodeavam. O curso era tudo o que eu queria: língua e literatura portuguesa, literatura brasileira, linguística (adoro), idioma russo, literatura russa. Um deleite para minha ânsia da época de adquirir cultura. O curso era bem puxado.
Mestre Boris era calmo, amante da boa prosa e nos guiava serenamente pelos Puchkin, Maiakovsky, Gorki, etc. Acompanhava com interêsse os progressos que cada aluno da classe fazia no aprendizado do idioma, dado por outro professor, e alegrava-se dizendo que leríamos as obras em russo logo mais!! Sabíamos que já naquela época era o maior tradutor das obras russas e um intelectual respeitadíssimo, como é até hoje aos 93 anos, e nunca teve um único ataque de estrelismo.
O difícil naquela época era fazer com que os milicos entendessem que estudar a cultura e o idioma russo não tinham nada a ver com comunismo. Mas claro que não entendiam. Perseguiam o nosso querido professor e como a USP frequentemente era cercada pelo Dops ou sei lá qual polícia e havia alcagüetes em cada classe, uma bela noite assistimos o triste espetáculo dele ser preso na nossa frente e levado algemado para os arcabouços da ditadura porque protestou contra a entrada dos milicos na sala exigindo que os alunos apresentassem documentos. Fala disso na reportagem "linkada" acima. Foi preso várias vezes.
Abandonei o curso já no final do segundo ano porque não aguentava mais ser retida toda hora dentro do campus, para averiguações, com metralhadora no peito. Uma pena.
Tenho orgulho em dizer que o Professor me telefonou no ano seguinte perguntando porque não estava frequentando o curso.
O vento me levou prá outros ares...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Flutuador

Durante toda a semana passada o flutuador analisou a represa Paiva Castro, em Mairiporã, na Grande São Paulo, que abastece metade da população da região metropolitana.  
 Dan Robson percorreu 44 km pelas margens com seu bote neste belo ambiente.
O quadro dos mananciais paulistas continua assustador: embora as margens ainda estejam cobertas de mata nativa, esta represa está assoreada, sofre com caça e pesca irregular, já há ocupação irregular em suas margens e muito lixo.
A água ainda apresenta bons níveis de oxigênio mas, pelas reportagens, fica claro que também é um paraíso ameaçado.
Se considerarmos que o próprio represamento dos rios já é uma interferência/ destruição dos ambientes naturais, o homem destrói aquilo que construiu.
E é a água que nos é oferecida.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Sonhos de criança?

Lembram dos brinquedinhos de montar  da Revell?
 Pois é, olhem só no que dá montar seus sonhos:

Ein Schild sagt mehr als 1000 Worte...

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Finalmente


Quando a terra terminar
Com uma grande explosão solar
E tudo virar pedaço
Que era pedra, pau ou aço
E os continentes e o mares
Forem todos pelos ares
E os Alpes e as muralhas
Forem apenas migalhas
Numa nuvem espalhada
Que gira em torno do nada,
Sei que então, e só então
voando em formação
com moedas e dedais
e os restos de catedrais
será finalmente encontrada
aquela minha Parker 51
com tampa prateada
(Luis Fernando Veríssimo, Poesia numa hora dessas?)

Ha, ha, ha, só quem é da minha geração consegue  entender  o que significava perder uma Parker 51.
Eu tive uma caneta tinteiro Parker 21, uma graduação menos chique da 51, que ganhei quando passei pelo exame de adminissão de ginásio de estado. Tinha meu nome gravado.  Era linda, vinho com tampa prateada e durante muito tempo conseguí salvar da sanha do meu irmão de “desmontar para ver como funciona”.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eu queria

Quando entrei no mundo acadêmico, por volta de 1967, achei que deveria então lutar para transformar-me numa intelectual daquelas bem cultas. Não sabia, e não sei até hoje, em que momento se dá o pulo do gato, sabia apenas que teria de ler muito, o que já fazia, estudar muito, o que também não me causava nenhum problema e fazer amizades acadêmicas, o que me causava muitos problemas porque era muito tímida.
Além disso eu vivia muito integrada no mundo da vela que amava e amo até hoje. Participava de regatas, velejos-treino e depois de constatada a minha  pouca habilidade, virei juíza. Adorava, tendo todos os fins-de semana reservados para o esporte o que perdurou décadas e não concebia fazer outra coisa.
Como  cursava a faculdade de Bibliotecnomia na Escola de Sociologia e Política, logo me ví num impasse: ou bem vivia a vida acadêmica intensamente ou velejava. Como  eu também já trabalhava  nesta época percebí que fazer os tres era bem difícil. Eu bem que tentei. Na escola, entre outras matérias, tínhamos também aula de História da Arte que era lecionada pelo pintor Oswald de Andrade Filho, o Nonê. Sim, filho do famoso Oswald de Andrade, poeta, romancista, escritor , etc. O Nonê era muito querido e contava muitas histórias de suas viajens com o pai, a Anita Malfati, Tarsila do Amaral e outros e volta e meia nos convidava para ir ao seu ateliê para conhecer outros pintores e intelectuais. Eu, ainda tomada de um desejo romântico de vir a conhecer intelectuais e, quem sabe, um dia ser um deles, fui em certa ocasião com mais duas ou tres colegas ao dito ateliê, em pleno sábado à tarde.
Para mim era um sacrifício e chegava a me causar dor física abandonar os barcos durante uma tarde de sábado. O ateliê era escuro e bem ateliê mesmo, cheio de tintas, bagunça, panos sujos, cavaletes e telas. Tinha várias pessoas jovens, todos conversando e bebendo. Sobretudo bebendo. Não ouví nenhuma conversa intelectual e achei o ambiente enfadonho. O salão tinha apenas uma janela e por ela eu via o sol e, em vez de apreciar as pinturas que estavam sendo produzidas e me encantar com a arte, tentava desesperadamente farejar que tipo de  vento estava soprando, para adivinhar o desenrolar das minhas adoradas regatas. Lá pelas tantas a bebedeira aumentou  e percebí que um dos jovens pintores começara a medir insistentemente a minha bunda. Achei melhor me escafeder dalí. Será que algum deles ficou famoso?
A vela venceu, o mundo acadêmico ficou só no básico, minhas colegas de faculdade me achavam meio maluca quando eu contava dos barcos e só uns anos mais tarde voltei a tentar equacionar as duas forças que me puxavam como um cabo de guerra, o saber e o esporte.
Conto em outra ocasião.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dia útil

Primeira segunda feira útil de 2011. Dia chuvoso e um tantinho frio. Ótimo para tomar chá e ler um bom livro e com um  ano inteiro de dolce far niente pela frente.
 Já faz um ano e quatro meses que não trabalho mais e é incrível como desenvolví capacidade de me ocupar mesmo sem ter  mais a obrigação militar de sair de casa em determinado  horário para o trabalho e voltar cansada e esperar ansiosa pelos fins-de-semana e feriados. Achei que nunca iria me acostumar a ficar sem atividade obrigatória. Acostumei fácil, fácil.
Leio muito, leio tanto que até confundo tudo que leio. Acabei de ler um livro do Cronin em alemão, cujo título em inglês é The stars look down, romance que tem como ambiente as minas de carvão na Inglaterra e suas péssimas condições de trabalho, baixos salários, empresários inescrupulosos, a politicagem ao redor, a indolência do poder público, tudo isto antes e durante a Primeira Guerra Mundial.
De lá para cá não mudou muito, não é?
Agora resolví reler o Henfil na China antes da Coca-Cola. Vamos ver. Não sei muito sobre a China, não consigo decorar aqueles nomes difíceis mas como está se transformando na locomotiva mundial, vou recomeçar com o Henfil que esteve lá em plena ditadura militar aqui e ditadura comunista lá. Vou pegar o meu atlas e, quem sabe, aprendo pelo menos os nomes das províncias.
Também adoro fazer tapetes, alguém quer? É um trabalho de paciência e atenção mas não é muito bom para se ocupar no verão pois a lã esquenta muito. Vou pedir à minha nora para fotografá-los e expô-los aqui. Ela me lê e agora já sabe do meu pedido.
Agora o chá...